3ª Andança do Observatório do PDDU – Áreas Verdes Públicas e Desigualdade Socioambiental em Salvador
A cidade de Salvador vem passando pela atualização de seu PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano), uma das principais políticas públicas municipais. Vários dos professores da EAUFBA, e mais precisamente do NPGA, estão engajados em uma articulação da sociedade civil denominada de Observatório do PDDU. Os professores participam de Grupos de Trabalho como:
> Participação, Mobilizações Sociais e Caminhos de Monitoramento pela Sociedade e do Sistema Municipal de Informação, com Maria Elisabete Pereira dos Santos, Tânia Moura Benevides e Leandro José Silva Andrade;
> Grupo de Gestão Pública e Automonitoramento da Política Pública/Indicadores como Elizabeth Matos Ribeiro e Jair Sampaio Soares Júnior;
> Grupo de Meio Ambiente: SAVAM (Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural), Paisagem, Poluição, Infraestrutura e Saneamento como Andrea Cardoso Ventura.
Além disso, vários alunos da graduação e pós graduação têm se engajado nesse rico debate.
Entre as ações realizadas pelo Observatório, aconteceu, no dia 30 de maio, no Auditório da Escola de Administração da UFBA, a 3ª Andança do Observatório do PDDU de Salvador. Neste encontro, discutiu-se o tema das Áreas Verdes Públicas e Desigualdade Socioambiental em Salvador.
Estiveram presentes, entre os integrantes da mesa de debates, o diretor da EAUFBA, André Luís Nascimento dos Santos, a representante do Ministério Público, Hortênsia Gomes Pinho, o representante da Confederação Nacional da Associação de Moradores (CONAM) e professor da UNEB, João Pereira, o representante do Grupo Ambientalista GAMBA, Renato Cunha; a egressa do NPGA, arquiteta e urbanista Rossana Alcântara, a coordenadora do GT Áreas Verdes Públicas do Observatório do PDDU, Olga Pontes, e a liderança do Movimento Social do Nordeste de Amaralina, Marcia Pita.
Entre os participantes, estiveram presentes na Andança lideranças comunitárias, professores e pesquisadores, estudantes e moradores da cidade. Neste encontro, houve diálogos sobre as áreas verdes públicas que estão sendo perdidas e sobre a arborização urbana, que virou artigo de luxo reservado só a bairros onde moram a população situada nas maiores faixas de renda.
A realidade da maioria dos bairros de Salvador, no atual contexto de crise climática, é complexa, como mostram os resultados da tese de Rossana Alcântara, intitulada Política Ambiental e Regulação Urbana: Cobertura Vegetal e Desigualdade Socioambiental em Salvador, defendia no NPGA em 2025:
> 66% dos bairros de Salvador estão em zona crítica, com menos de 10% e, em muitos casos, próximo de zero de vegetação;
> Apenas 12% dos bairros, cerca de 20 bairros, atingem o patamar mínimo de vegetação associado a algum conforto térmico;
> 71% dos bairros de Salvador estão em zona crítica de calor, realidade fortemente relacionada à falta de cobertura vegetal;
A desafetação de áreas verdes públicas, como ressaltou Olga Pontes, agrava ainda mais esse quadro. Marcia Pita, trazendo elementos da realidade do Nordeste de Amaralina, consubstanciou o debate sobre o racismo ambiental que estrutura a nossa cidade. Nessa reflexão nos deparamos com uma verdade incômoda: Salvador não sofre por falta de leis, planos ou discursos de compromisso ambiental. O problema é a ausência de efetividade, proteção real e distribuição justa das áreas verdes públicas. Assim, uma pergunta tem orientado nossa reflexão: que cidade estamos construindo quando o patrimônio público verde desaparece?
Precisamos pensar juntos como construir uma Salvador mais justa, menos desigual socioambientalmente e mais comprometida com a vida, com o clima, a saúde e o futuro de todos. A nossa Escola, NPGA e UFBA tem se feito presente nesse debate. Participe da reflexão sobre a revisão do PDDU da nossa cidade.
Saiba mais sobre o Observatório do PDDU:
> Site: https://www.observatoriopddu.org/
> Instagram: https://www.instagram.com/obspddu/

